terça-feira, 11 de maio de 2010

Nova York no cinema

O Central Park é tão fotogênico e tipicamente nova-iorquino que tomadas de ótimos filmes foram feitas ali. Se você é admirador de Woody Allen, deve se lembrar que o parque apareceu em Annie Hall (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), Everyone Says I Love You (Todos Dizem Eu Te Amo) e Hannah and Her Sisters (Hannah e Suas Irmãs), dentre outros. A criançada de todas as idades também vai se lembrar do ratinho Stuart Little e do baile que o garoto dá no trapalhão Joe Pesci e em seu comparsa em Home Alone II (Esqueceram de Mim II) .
Outro ícone de Nova York que também aparece em muitos filmes é o Empire State Building. É impossível esquecer a cena do clássico King Kong, filmado em 1933, em preto e branco, com o gigantesco macaco encarapitado no alto do Empire State Building, sendo atacado por aviões bimotores. O irascível primata preferiu o World Trade Center na versão de 1976, mas no remake de 2005 escalou o Empire State Building, como na película original.

Há tantos filmes em que o Empire State Building aparece, além de séries de TV, como Friends e Sex and the City, que não dá para mencionar todos. Mas não dá para deixar de falar de An affair to remember, de 1957, exibido no Brasil sob o título Tarde Demais para Esquecer. Durante um cruzeiro, Michel (Cary Grant), playboy mulherengo, de casamento marcado, conhece Terry (Deborah Kerr), que também está noiva. Eles se apaixonam, é claro, e marcam um encontro para dali a seis meses no 102° andar do Empire State Building; o tempo necessário para desfazerem seus respectivos compromissos (“Preciso de um tempo”, “Estou confusa...”) e sentirem se de fato se amam. Michel vai ao encontro e fica horas esperando, mas... Vamos parar por aqui. O filme, um remake de Love Affair (Duas Vidas), de 1939, em que Charles Boyer e Irene Dunne atuaram nos papéis principais, faz chorar gerações desde que foi lançado.

O Empire State Building também aparece em Sleepless in Seattle (Sintonia de Amor), de 1993, com Tom Hanks e Meg Ryan.

Vôo de power paraglider no Himalaia

A estada em Pokhara nos permitiu participar de uma das mais emocionantes experiências de nossas vidas: um voo de paraglider motorizado junto ao Himalaia. Bebel inicialmente não se entusiasmou. Sem saber muito a respeito, olhou com desconfiança a foto da engenhoca e quase desistiu da aventura. Depois topou e, num dia excepcionalmente claro, para sorte nossa, seguiu comigo, ainda desconfiada, para o aeroporto. Eu, que já pilotara ultraleves, sentia mais segurança: acidentes são muito raros.



Lembro-me de que brinquei com a moça que nos atendeu no aeroporto. “Quantos desses aparelhos já caíram?” Ela riu: “Nenhum. “ Como o ultraleve, o paraglider motorizado plana bastante. Não cai como uma pedra. Se estiver voando alto, o piloto pode escolher facilmente onde pousar. Algumas dezenas de metros de terreno plano bastam para o pouso.
Logo estávamos vestindo blusões especiais para aguentar o frio lá no alto e embarcando cada um de nós em um paraglider, ambos conduzidos por pilotos russos. Os dois paragliders de fibra de vidro e motor traseiro me pareceram ainda mais fáceis de serem pilotados do que o ultraleve. Como não pude pilotar nenhum, não tenho certeza. Mas decolam com a elegância de um flamingo.
Do alto, preso por um cinto de segurança a um assento que parecia solto no espaço, eu olhava Pokhara lá embaixo, via o lago Pewa como um espelho azul marinho entre montanhas verdes. Sobrevoamos inclusive o Pagode da Paz Mundial, que ainda não visitáramos, fora da cidade, no alto de uma montanha. Quando descemos, Bebel estava maravilhada. Parece que para ambos a experiência superara tudo o que era fizéramos até então.

domingo, 9 de maio de 2010

De Paris a Katmandu de carro


A mais marcante de minhas viagens ao Oriente, talvez de toda minha vida, foi a primeira delas, na segunda metade da década de 1970. De mochila nas costas, viajei pelo sul da Europa e pelo norte da África. Depois dei um tempo em Paris, onde fui convidado por Bernard, um amigo francês, para seguir com ele em seu pequeno automóvel Renault 4 L até Katmandu, no Nepal.Ir da França ao Nepal de carro! A ideia simplesmente me hipnotizava. Dei um longo assobio… Tratava-se de uma mega-aventura: meses de estrada, percorrendo países distantes e exóticos, em um carrinho que parecia funcionar bem em Paris, mas era básico e não tão novo. Era recém-formado. Quando me engajasse seriamente na profissão não poderia encarar uma experiência dessas. Existem coisas que só se faz uma vez na vida. Era pegar ou largar.
Eu sabia muito bem que uma viagem desse gênero exigiria que eu deixasse de lado certos preconceitos e o apego a pequenos confortos cotidianos. Não se tratava de Europa ou de Estados Unidos; nos países que eu iria visitar, as coisas funcionavam de modos e em ritmos peculiares. Tudo era lento, complicado, pouco confiável. Nos grandes centros, a infraestrutura turística até poderia ser quase satisfatória mas, fora deles, viajar por conta própria demandaria algum savoir-faire.


Levamos cerca de três meses para chegar ao Nepal. No caminho, depois de atravessarmos a Europa, passamos pela Turquia, pelo Irã, pelo Afeganistão, pelo Paquistão e pela Índia. Em razão de guerras, conflitos e insurreições, uma viagem como essa seria hoje praticamente impossível. Infelizmente, é como se o mundo tivesse ficado menor.
Embora neste livro eu fale sobre minhas viagens por diversos países, preferi, talvez por razões afetivas, dar destaque à Índia e ao Nepal, países em que estive muitas vezes. Neles, fiz amigos, conheci cidades e aldeias, opulência e miséria; vi à minha frente, e não em livros, como são ao mesmo tempo tão diferentes e tão iguais, em qualquer lugar, as necessidades e os sonhos do homem; e modifiquei para sempre meus conceitos juvenis sobre a vida, a morte e a felicidade.

(Extrato do capítulo introdutório do livro A Vaca na Estrada, de Lucio Martins Rodrigues, que será lançado em breve pela Editora Conteúdo.)

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